Braskem (BRKM5) tem novos resultados ruins, mas por que ações registram disparada?

há 2 meses 20
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Mais uma vez, os resultados apresentados pela Braskem (BRKM5) foram considerados ruins. Mas, mesmo assim, as ações saltam nesta terça-feira (11): às 10h35 (horário de Brasília), os ganhos eram de 10,40%, a R$ 7,22.

A petroquímica, junto com os resultados, anunciou um acordo com o estado de Alagoas para pagar R$ 1,2 bilhão em indenizações relacionadas ao desmoronamento do solo em bairros da capital alagoana, Maceió. O desastre foi causado pela extração de sal-gema desenvolvida pela companhia.

O valor será pago ao longo de dez anos, e R$ 139 milhões já foram desembolsados, segundo informou a empresa.

Análise de Ações com Warren Buffett

Para o Bradesco BBI, se, por um lado, o acordo assinado com o estado de Alagoas triplica o valor provisionado, por outro, os pagamentos eliminam mais um obstáculo para a Braskem impulsionar seu processo de reestruturação, potencialmente com novo capital de parceiros atuais ou novos.

“Com a situação da Braskem se deteriorando rapidamente, não há uma solução mágica para o problema, mas uma possível injeção de capital por um novo acionista poderia proporcionar um bom alívio à liquidez da empresa, juntamente com as tarifas antidumping á aprovadas e a iminente aprovação do PRESIQ (Programa Especial para a Sustentabilidade da Indústria Química)”, avaliam os analistas do BBI.

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O projeto visa promover o desenvolvimento da indústria petroquímica brasileira por meio da concessão de créditos fiscais para empresas elegíveis. Para analistas de mercado, o programa de incentivos para a indústria petroquímica pode ser um apoio essencial para a Braskem.

Sobre os números da companhia em si, o BBI aponta que os resultados do 3T25 da Braskem mostraram uma deterioração muito rápida na frente operacional, com as vendas caindo acentuadamente em relação ao ano anterior (aproximadamente -14% para polietileno (PE) e o polipropileno [PP]) e queima de caixa de US$ 424 milhões, significativamente acima de suas estimativas oficiais. A sazonalidade positiva do 3T quase não se manifestou.

A empresa vem perdendo participação de mercado em um mercado químico brasileiro em enfraquecimento, e os spreads se estreitaram ainda mais, aumentando a urgência da aprovação do PRESIQ.

O banco também espera que a aprovação das tarifas antidumping de PE contra os EUA comece a mostrar efeitos positivos no 4T25.

Como resultado do balanço abaixo do esperado, o BBI revisou suas estimativas de lucro para baixo novamente, enquanto agora considera os benefícios das tarifas antidumping dos EUA e a aprovação do PRESIQ. O banco reduziu o preço-alvo para R$ 8/ação (US$ 3,00/ADR, ou recibo de ações), de R$ 10/ação (US$ 3,50/ADR).

Para os analistas, apesar do alívio proporcionado por ambas as medidas, a liquidez de 5 anos da Braskem ainda é restrita e a estrutura de capital da empresa permanecerá com alta alavancagem; portanto, os acionistas controladores devem decidir em breve sobre uma solução para tornar a tese de investimento sustentável.

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“Acreditamos que essa solução pode vir por meio de: (i) uma oferta de ações, vinculada a um novo acordo de acionistas que aumentaria a influência da Petrobras na empresa, e/ou (ii) uma reestruturação da dívida que poderia incluir múltiplos cenários”, conclui.

O UBS BB também viu o resultado mais uma vez como fraco, com consumo de caixa acumulado no ano de US$ 1,1 bilhão.

“Embora em grande parte em linha com nossas expectativas e com o consenso do mercado, a Braskem apresentou resultados fracos em meio a um cenário desafiador do setor que persiste”, avalia.

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No lado positivo, os analistas do banco observam cinco desenvolvimentos externos que ajudam a reduzir o risco da história até certo ponto: 1) o projeto de lei REIQ/PRESIQ no Congresso; 2) notícias sugerindo uma resolução da estrutura acionária; 3) medidas antidumping; 4) o acordo anunciado com o Estado de Alagoas com um longo cronograma de pagamentos; e 5) tarifas de importação renovadas durante o trimestre.

“No geral, esses fatores permanecem como pré-condições para um retorno à geração de caixa em um futuro próximo. Embora o progresso tenha começado a se materializar, continuamos a ver um caminho que pode enfrentar volatilidade e incerteza significativas”, avalia o UBS BB, seguindo recomendação neutra, assim como a do BBI.

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