ANUNCIE AQUI
Um grupo internacional de astrônomos, liderado por pesquisadores brasileiros, desenvolveu um novo método para compreender como as galáxias evoluem e alternam períodos de intensa atividade em seus buracos negros supermassivos.
O estudo foi publicado na revista científica britânica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e divulgado pela Folha de S. Paulo.
A pesquisa tem como primeiro autor Luiz Silva Lima, doutorando da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), e contou com a orientação da astrônoma Lucimara Martins, vice-presidente da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB).
Leve seu negócio para o próximo nível com os principais empreendedores do país!
O que o estudo descobriu
O grupo analisou a galáxia NGC 613, uma espiral barrada localizada a cerca de 67 milhões de anos-luz da Terra. O objeto estudado é um exemplo de galáxia ativa, onde o buraco negro central está em processo de absorção de matéria.
Usando dados do Muse, um espectrógrafo instalado no Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), no deserto do Atacama (Chile), os cientistas conseguiram decompor a luz emitida pela galáxia em seus diferentes componentes.
A técnica permitiu identificar fenômenos físicos distintos em suas várias regiões, como fluxos de gás, formações estelares e sinais de atividade nuclear intensa.
Continua depois da publicidade
“O método nos ajuda a montar o quebra-cabeça da evolução galáctica, entendendo como o gás que flui da barra central pode tanto formar estrelas quanto alimentar o buraco negro no núcleo”, explicou Lima ao jornal.
O modelo desenvolvido pelo grupo fornece pistas sobre o que faz um buraco negro supermassivo “ligar” ou “desligar”, alternando entre períodos de calmaria e de intensa emissão de energia.
Por que o estudo é importante
A pesquisa é considerada um avanço importante na astrofísica observacional, ao permitir que cientistas leiam a “assinatura de luz” de uma galáxia para identificar o estado de seus componentes internos e compreender melhor o ciclo de vida das estruturas cósmicas.
“Cada galáxia tem uma história própria, e entender essa dinâmica é fundamental para saber como o Universo envelhece e se transforma”, destacou Lucimara Martins à Folha.
Os autores reconhecem que se trata de um estudo de caso, mas acreditam que a metodologia pode ser aplicada a dezenas de outras galáxias, contribuindo para um retrato mais amplo da evolução cósmica.
O que são galáxias ativas
As galáxias ativas são aquelas cujo núcleo emite uma quantidade incomum de energia, resultado da presença de um buraco negro supermassivo em processo de alimentação, engolindo gás, poeira e até estrelas.
Continua depois da publicidade
Esse fenômeno libera jatos de partículas e radiação capazes de influenciar diretamente a formação de novas estrelas nas regiões próximas.
A atividade nuclear intensa dessas galáxias é cíclica: há períodos de calmaria e de reativação, o que intriga astrônomos há décadas.
Essa alternância entre fases de silêncio e explosões energéticas torna sistemas como a NGC 613 verdadeiros laboratórios naturais para entender o equilíbrio cósmico entre destruição e criação; e, em última instância, como o Universo evolui ao longo do tempo.

há 2 meses
22








Portuguese (BR) ·