Brasil espera contrapartidas dos EUA para reduzir tarifaço e tenta encerrar sanções

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O governo brasileiro trabalha com a expectativa de que a redução parcial do tarifaço anunciada pelos Estados Unidos não será o último passo das negociações, mas também não virá sem troca. As informações são do portal G1.

A expectativa interna, segundo o site, é de que Washington deve pedir alguma contrapartida antes de avançar em novas flexibilizações, especialmente no que afeta a indústria brasileira, ainda fortemente atingida pelo pacote tarifário do governo Donald Trump.

A primeira rodada de cortes, anunciada em 20 de novembro, retirou a sobretaxa de 40% sobre produtos como carne e café, trazendo alívio imediato ao agronegócio. Mas a fotografia completa das exportações mostra que boa parte dos produtos de maior valor agregado continua sob pressão.

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Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, de um total de US$ 40,4 bilhões exportados para os EUA em 2024:

  • US$ 8,9 bilhões seguem com tarifa de 40%
  • US$ 6,2 bilhões enfrentam a tarifa adicional de 10%
  • US$ 14,3 bilhões estão livres de sobretaxas
  • US$ 10,9 bilhões ainda sofrem restrições da Seção 232 (aço e alumínio)

A equipe econômica e o Itamaraty avaliam, conforme apuração do G1, que a prioridade agora é remover a carga mais pesada que recai sobre a indústria, o setor que mais pressiona o governo e que mais teme perda de competitividade no curto prazo.

Em análises recentes, executivos e associações industriais vêm sinalizando que a manutenção das tarifas compromete investimentos e trava a entrada de produtos brasileiros em cadeias globais.

As sanções que o Brasil quer resolver

O governo também tenta usar o momento de reaproximação com os EUA para encerrar um conjunto de sanções impostas a autoridades brasileiras. Entre elas estão a suspensão de vistos de ministros e a inclusão do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes na lista de sanções da Lei Magnitsky, tema que se tornou um foco de atrito diplomático nos últimos meses.

Para auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a manutenção dessas medidas não faz sentido em um ambiente de diálogo. A percepção é de que, com as conversas retomadas e os sinais políticos mais moderados vindos de Washington, há uma oportunidade para “zerar pendências” e reconstruir a relação bilateral em bases menos conflituosas.

Momento de expectativa

Do lado brasileiro, há um sentimento de que a negociação entrou em uma fase mais previsível e menos turbulenta. Ainda assim, a indústria cobra urgência: os produtos mais afetados continuam perdendo espaço no mercado americano, e as empresas dizem que decisões de investimentos podem ser revistas se a incerteza persistir.

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A retomada do diálogo abre espaço para novas rodadas de negociação nas próximas semanas, mas os próximos avanços dependerão da disposição dos EUA em flexibilizar seu pacote tarifário e do que exigirão em troca.

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