Brasil envelhece antes de enriquecer: como pode redefinir mapa de oportunidade na B3?

há 2 meses 27
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Analistas do banco Santander divulgaram na última quinta-feira (23) um relatório sobre o envelhecimento acelerado da América Latina, incluindo o Brasil, mas também apontam como a população da região não está alcançando níveis mais altos de renda antes disso.

Segundo os analistas, esse fenômeno pode mudar profundamente o consumo, os mercados e a produtividade da região, trazendo efeitos ambíguos sobre diferentes setores da economia. O grande alerta é que a região pode enfrentar “um dos cenários mais desafiadores entre regiões de envelhecimento populacional tardio”.

O relatório do Santander destaca que o envelhecimento populacional altera significativamente os padrões de consumo. “Evidências de países onde o envelhecimento está mais avançado mostram que os idosos gastam mais com necessidades básicas, como saúde, alimentação e moradia, e menos com itens discricionários, como lazer, vestuário e viagens”, diz o documento.

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A afirmação usa como base os dados de uma pesquisa realizada pela McKinsey, que refere a números coletados na China, Alemanha, Japão e Estados Unidos. Assim, o banco relata que, após os 65 anos, os gastos aumentam em saúde, alimentação dentro de casa, habitação e serviços públicos, enquanto diminuem em educação, roupas, restaurantes, transporte e bebidas alcoólicas.

“O envelhecimento não reduz o consumo, mas muda completamente sua composição. Setores ligados a bem-estar, prevenção e conveniência tendem a crescer, enquanto o consumo discricionário perde espaço”, destaca o Santander.

Entre as companhias que podem se beneficiar deste cenário, entre as com exposição no Brasil, estão Assaí (ASAI3), Grupo Mateus (GMAT3), Magazine Luiza (MGLU3), Mercado Livre (MELI34) e Rede D’Or (RDOR3), além de farmacêuticas e redes de drogarias como Hypera (HYPE3), RD Saúde (RADL3) e Pague Menos (PGMN3).

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O relatório também cita empresas de diagnósticos e tratamento de doenças crônicas, como Fleury (FLRY3) e Oncoclínicas (ONCO3), e até academias, como a Smartfit (SMFT3), beneficiadas pelo interesse crescente em prevenção e bem-estar.

Na outra ponta, os destaques negativos estariam nos setores de consumo discricionário, e o relatório lista alguns nomes que podem sofrer mais, como Ânima (ANIM3), Cogna (COGN3), YDUQS (YDUQ3), Lojas Renner (LREN3), Ambev (ABEV3) e Arcos Dorados (A1RC34).

Os analistas do Santander ressaltam ainda que, no caso específico do México, o envelhecimento populacional pode ser parcialmente compensado pelo turismo internacional e corporativo, o que mitigaria os impactos sobre aeroportos e companhias aéreas. Já no mercado imobiliário, o banco prevê efeito positivo, refletindo tanto o alto déficit habitacional quanto mudanças na demanda, com famílias trocando imóveis maiores por menores e vice-versa.

Desafio

Para o Santander, o grande risco para a região é o descompasso entre o envelhecimento populacional e o nível de desenvolvimento econômico. Um dos grandes problemas a partir desse descompasso é a taxa de fertilidade.

Segundo o banco, “as taxas de fertilidade na América Latina caíram de cerca de 6 em 1955 para 1,8 em 2023, e as seis maiores economias da região – Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru – têm taxas de fertilidade abaixo de 2,0”. Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a América Latina é hoje a região que mais envelhece no mundo.

Os dados do BID também mostram que levou 56 anos para que a proporção de pessoas com mais de 65 anos passasse de 10% para 20% da população total da Europa. Porém, essa transição na América Latina deve acontecer em menos da metade do tempo, cerca de 29 anos.

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Apesar de ter uma das maiores taxas de produtividade do trabalho entre as regiões de envelhecimento tardio, “o indicador cresceu no ritmo mais lento dentro desse grupo”, observa o Santander.

Renda

No campo econômico, a região também perde fôlego em comparação com seus pares. Segundo o FMI, o PIB per capita médio da América Latina foi de US$ 10.369 em 2024, acima da média dos países em desenvolvimento (US$ 6.652), mas o crescimento esperado entre 2025 e 2029 é menor: 3,8% ao ano, contra 5% nos emergentes em geral.

Além disso, há projeções feitas pelo Banco Mundial que também reforçam a ideia dos gastos nos setores mencionados: as despesas com educação, pensões e saúde devem saltar de 12,8% para até 18,3% do PIB entre 2015 e 2045, com destaque para o avanço dos gastos previdenciários (+320 pontos-base) e de saúde (+210 p.b.).

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Em termos de renda, o banco nota que apesar da América Latina estar melhor posicionada do que outros mercados em desenvolvimento, quando se trata de termos de PIB per capita, ela pode evoluir menos que seus pares nos próximos cinco anos.

“O alto nível de informalidade e a fragmentação dos sistemas de previdência e serviços públicos devem exercer pressão adicional sobre as contas da região”, ressalta o Santander.

Diante desse quadro, o banco defende a necessidade de políticas voltadas à produtividade e à qualificação da força de trabalho, com investimento em capital humano, tecnologia e educação, para que haja boas oportunidades de trabalho e crescimento sustentado.

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O Santander ressalta ainda que o chamado bônus demográfico (período em que a população em idade ativa é maioria) representa uma oportunidade crucial. Para aproveitar esse momento, o banco diz que precisará de um aumento da poupança, investimentos em inovação e políticas públicas que estimulem o emprego formal e a produtividade. Caso contrário, o envelhecimento precoce poderá se tornar um entrave duradouro ao desenvolvimento econômico da região.

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