Bradesco teve resultado bom, mas expectativas eram altas: como 3T pode afetar ações?

há 2 meses 18
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Mais um trimestre de recuperação. O Bradesco (BBDC4) reportou na noite de quarta-feira (29) lucro líquido recorrente de R$ 6,2 bilhões no terceiro trimestre de 2025 (3T25), uma alta de 18,8% em relação ao mesmo período do ano passado, em linha com as previsões do mercado.

A margem financeira total cresceu 16,9%, para R$18,7 bilhões, com expansão de 19% na margem com clientes, para R$18,6 bilhões, mas queda de 72,9% na margem com mercado, para R$99 milhões. A margem líquida aumentou 14,4%.

O retorno sobre o patrimônio (ROAE) atingiu 14,7%, de 14,6% no trimestre anterior e 12,4% um ano antes. A expectativa da XP era de ROE de 14,5%.

Análise de Ações com Warren Buffett

O dado de receita líquida de juros (NII) subiu para R$ 18,7 bilhões (+17% ao ano; +2% versus a expectativa da XP), apoiado por margens mais fortes de clientes à medida que os spreads melhoraram, compensando um Custo de Crédito ligeiramente maior (+3% na base trimestral).

A receita de Serviços avançou +7% ano a ano, enquanto o segmento de Seguros permaneceu como destaque, mantendo a rentabilidade acima de 20% de ROE. A inadimplência acima de 90 dias manteve-se estável em 4,1%, melhor do que o esperado, e as Despesas Operacionais aumentaram moderadamente, mantendo o Índice de Eficiência próximo a 50%.

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“No geral, o Bradesco continua a consolidar a rentabilidade e melhorar a qualidade dos ativos, confirmando progresso consistente em seu turnaround e alinhamento com o guidance para 2025″, apontam os analistas Bernardo Guttmann e Matheus Guimarães, analistas da XP que assinam o relatório.

A recuperação permanece gradual, mas o banco parece ter alcançado uma nova base de normalização dos lucros, avalia.

Na visão da Genial Investimentos, o Bradesco apresentou mais um trimestre de evolução consistente no lucro, registrando a sétima alta sequencial desde o início do plano de reestruturação anunciado no início de 2024.

O lucro ficou um pouco abaixo da projeção do Itaú BBA de R$ 6,4 bilhões, devido a uma alíquota de imposto mais alta. Contudo, a visão é de um resultado “líquido positivo”.

Os destaques positivos incluem o crescimento da carteira de empréstimos em 2% no trimestre (10% no ano anterior), impulsionado pelo varejo e pelas PMEs (pequenas e médias empresas). O banco também destaca a NII de clientes com crescimento mais rápido do que o esperado, com alta de 5% no trimestre, compensando amplamente a queda na NII da tesouraria.

As receitas de serviços aumentaram 3% no trimestre e 7% no ano anterior. O segmento de seguros também se manteve forte, com alta de 1% no trimestre e 13% no ano anterior, principalmente nos segmentos de saúde, vida e previdência.

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Os pontos negativos incluem o aumento de 5% nas despesas com provisões no trimestre, liderado por casos corporativos, embora o custo do crédito para o varejo tenha melhorado.

“No geral, os números do terceiro trimestre apoiam a continuidade da melhoria e a expansão do retorno sobre o patrimônio líquido em 2026”, avalia o BBA.

O JPMorgan teve uma primeira avaliação neutra para os números – “a qualidade foi boa, mas as expectativas eram altas”.

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“Do lado positivo, as tendências da NII (Receita Líquida de Juros) e da NIM (Margem Líquida de Juros) foram particularmente boas, o que tende a impulsionar um bom desempenho em relação às estimativas, e também saudamos a expansão de 30 pontos-base no índice CET1 (Índice de Lucro Líquido) em relação ao trimestre anterior, para 11,4%”, avalia.

Do lado negativo, acredita que os investidores otimistas esperavam um resultado ainda melhor (R$ 6,4-6,5 bilhões), e o Bradesco já superou seus pares recentemente (alta de 5,5% no último mês, contra +1% do Itaú – ITUB4).

Em outras palavras, o posicionamento sobre as ações pode ser um problema. Para os analistas do banco, embora o EBT (Lucro Antes dos Impostos) “em linha com as expectativas” possa não ser ótimo para todos, o JPMorgan destaca que parte disso se explica por “outras despesas” maiores do que o esperado (+6% em relação à projeção), e vemos o Bradesco recompondo algumas provisões para mão de obra neste trimestre”.

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Além disso, também houve provisões maiores, principalmente no atacado, o que pode estar relacionado a processos judiciais recentes envolvendo empresas. “Foi um trimestre razoável, com o Bradesco continuando a executar sua estratégia e entregando sua rentabilidade gradual. Contudo, temos preferido o Santander Brasil [SANB11] entre os bancos brasileiros sensíveis a passivos”, avalia.

Recomendações no radar

A Ativa Research também entende que a estagnação do ROE na comparação trimestral e forte evolução do Santander no período possam frustrar o mercado, mas não vê motivos para reprecificação excessiva da tese. “Mantemos compra, sustentados por valuation assimetricamente positivo e potencial de recomposição gradual do ROE à medida que o ciclo de crédito amadurece”, aponta.

O Itaú BBA também tem recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 22. Os analistas veem a ação BBDC4 como uma oportunidade de investimento, considerando a atraente relação risco-retorno, com as ações cotadas a 1,1 vez o valor patrimonial e 7 vezes o lucro por ação estimado para 2026. A Genial reiterou a recomendação de compra , com preço-alvo de R$ 21,90, o que implica potencial de alta de 17,4% frente ao último fechamento.

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Já a XP reafirmou o rating neutro. Para os analistas, sustentar ROE acima de 15% com custo de crédito estável será fundamental para uma reavaliação positiva em meio a um cenário macroeconômico ainda desafiador.

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