Bradesco não vê aumento de inadimplência, mas mantém apetite a risco moderado

há 2 meses 22
ANUNCIE AQUI

(Reuters) – O Bradesco (BBDC3;BBDC4) está com uma qualidade muito boa da carteira de crédito e não enxerga aumento da inadimplência até o final do ano, afirmou nesta quinta-feira o presidente-executivo do banco, Marcelo Noronha, reforçando, contudo, que o apetite a risco continua moderado.

“O apetite a risco continua moderado, como falamos no final de 2024, mas obviamente estamos aproveitando oportunidades e crescendo em modalidades de crédito e clientes que consideramos que são bons”, afirmou em videoconferência com a imprensa após o banco divulgar balanço trimestral na noite da véspera.

A carteira de crédito expandida do banco alcançou R$ 1,034 trilhão no terceiro trimestre, aumento de 9,6% ano a ano, com destaque para os segmentos de micro, pequenas e médias empresas (+24,8%) e pessoas físicas (+13,8%), enquanto o de grandes empresas registrou queda (-3,5%).

Análise de Ações com Warren Buffett

O custo do crédito subiu 20,1% ano a ano e 5,1% no trimestre, com o Bradesco citando reforço de provisão para casos específicos do atacado e Banco John Deere, que atua no agronegócio, conforme o balanço do banco divulgado na véspera.

Noronha acrescentou que o banco não vê risco de crédito para grandes empresas, destacando que os casos são pontuais, tampouco está preocupado com o crédito para o agronegócio, citando que pode ter um soluço um pouco maior no curto prazo no financiamento de equipamentos, mas que “não tira o sono”.

Ele afirmou que há uma camada da população com risco de crédito maior e por isso o banco tem operado em modalidades com garantias, assim como em alguns segmentos da pessoa jurídica, chamando a atenção para o nível elevado de juros no país.

Continua depois da publicidade

“Nós estamos falando de taxa de juros real acima de 10%… Com a Selic a 15%, pressiona alguns setores e empresas que têm uma margem Ebitda mais comprimida, que tinham até um endividamento adequado… Com essa taxa de juros começa a ficar difícil pagar o serviço da dívida, os encargos”, citou.

ROE, GUIDANCE

Noronha destacou que o Bradesco está aproximando cada vez mais o retorno sobre o patrimônio, que subiu a 14,7% no terceiro trimestre, do custo de capital, “seguindo a linha ‘step by step’ porque não para de investir na transformação, no que precisa fazer para aumentar a competitividade de curto e longo prazo”.

“Continuamos investindo, e vamos chegando lá”, acrescentou ao responder pergunta sobre quando o Bradesco voltaria a se aproximar de um ROE em torno de 20%. Ele explicou que essa evolução no ROE vem principalmente de aumento de receita, mas ressaltou que as despesas estão muito controladas.

O Bradesco reiterou na véspera suas previsões para o ano, que incluem expectativa de crescimento da carteira de crédito expandida de 4% a 8% e margem financeira líquida de R$37 bilhões a R$41 bilhões. Nesta quinta-feira, o presidente-executivo acrescentou que desempenho das métricas, em sua “grande maioria”, deve ficar no topo do guidance, sem citar qual.

Na bolsa paulista, as ações do Bradesco recuavam mais de 4% por volta de 10h30, capitaneando as perdas entre os bancos do Ibovespa, mesmo com o lucro de R$6,2 bilhões em linha com as previsões. De acordo com analistas do BTG Pactual, “as expectativas estavam provavelmente um pouco altas demais”.

Continua depois da publicidade

“Dado o atual cenário de Selic elevada e níveis baixos de inadimplência, os bancos brasileiros vêm apresentando rentabilidade muito forte em geral”, afirmou a equipe do BTG liderada por Eduardo Rosman, citando que o Bradesco tem feito ajustes corretos para elevar o ROE nos próximos trimestres.

Em relatório a clientes, porém, escreveram que permanecem “um pouco cautelosos” em relação às perspectivas de médio e longo prazo do Bradesco.

“O banco tem se concentrado cada vez mais em clientes de alta renda, afastando-se do segmento de baixa renda, no qual historicamente se destacava. No segmento de PMEs, o interesse tem se concentrado em empréstimos com garantia do governo, onde é difícil enxergar retornos acima da média de forma sustentável”, argumentaram.

Continua depois da publicidade

Ainda assim, Rosman e equipe afirmaram ver potencial de valorização para as ações do Bradesco nos próximos 6 a 12 meses.

Ler artigo completo