Bitcoin volta aos US$ 100 mil e analistas avaliam: correção ou fim do ciclo?

há 2 meses 18
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O Bitcoin voltou a cair nesta quinta-feira (6), negociado a US$ 101.595, após interromper uma tentativa de recuperação no início da semana. A maior criptomoeda do mundo acumula queda de 1,5% em 24 horas e de quase 17% no mês, no que pode ser sua pior semana desde março.

O movimento ocorre após uma perda de cerca de US$ 300 bilhões em valor de mercado no universo das criptomoedas. Desde que o ativo rompeu recordes em outubro, o mercado vem enfrentando liquidações em massa e retração do apetite por risco, cenário que se agravou com o shutdown nos Estados Unidos e a postura mais cautelosa do Federal Reserve.

De acordo com Taiamã Demaman, analista-chefe da Coinext, o Bitcoin ainda sustenta “um suporte psicológico importante” na faixa dos US$ 100 mil, mas o ambiente segue de cautela. “A tendência de curto prazo está fragilizada, refletindo a perda de força compradora e o aumento do medo entre investidores”, avaliou em nota.

O que dizem os analistas

A perda de referências técnicas reforça a percepção de que o mercado entrou numa fase decisiva. A empresa de análise CryptoQuant apontou que o Bitcoin caiu abaixo de sua média móvel de 365 dias, um indicador que serviu de suporte durante todo o ciclo de alta desde 2023. Se o ativo não voltar acima de US$ 102 mil rapidamente, o movimento pode se transformar em uma correção mais profunda.

Na mesma linha, a Galaxy Digital, de Michael Novogratz, reduziu sua projeção para o fim de 2025 de US$ 185 mil para US$ 120 mil, citando os efeitos da “significativa destruição de alavancagem” que atingiu o mercado em outubro.

A análise técnica também mostra um quadro misto. Ana de Mattos, trader parceira da Ripio, vê o Bitcoin oscilando entre US$ 98.944 e US$ 104.600, num padrão de lateralização que pode definir os próximos movimentos. “Se romper para cima, as resistências ficam em US$ 106.700 e US$ 112.500. Para baixo, o suporte está em US$ 95 mil”, explica.

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No Ethereum, hoje cotado a US$ 3.288, o cenário também é de pressão. O ativo perdeu força depois de testar o suporte em US$ 3,9 mil, mas mantém uma faixa de sustentação entre US$ 3,3 mil e US$ 3,5 mil. Abaixo disso, há risco de queda até US$ 2,8 mil, segundo Demaman.

É momento para pânico?

Nem todos, porém, veem esse movimento como um sinal de fraqueza estrutural. Samir Kerbage, diretor de investimentos da Hashdex, argumenta que a volatilidade faz parte do jogo. “A volatilidade é uma variação temporária de preço, enquanto o risco é a perda permanente. O investidor disciplinado é quem transforma oscilações em oportunidade”, escreveu em artigo recente.

Os próximos dias devem definir se o Bitcoin vai confirmar o suporte em US$ 100 mil ou romper essa barreira, o que poderia abrir caminho para quedas até US$ 93 mil ou mais. Um fechamento semanal consistente acima de US$ 103 mil, por outro lado, seria o primeiro sinal técnico de reversão, avaliam analistas técnicos.

Além dos gráficos, fatores macroeconômicos seguem no radar. Analistas destacam a necessidade de monitorar o fim do shutdown nos EUA, novas sinalizações do Federal Reserve e as tarifas de Donald Trump, que estão sendo contestados pela Suprema Corte americana e podem mexer na percepção global de risco.

Demaman lembra que, historicamente, correções semelhantes foram seguidas por recuperações expressivas. “Movimentos parecidos ocorreram em abril e junho, e ambos precederam altas nos meses seguintes. Ainda não há indícios claros de um bear market”, disse.

Enquanto isso, dados do Mercado Bitcoin mostram que o número de compradores líquidos (mais pessoas comprando do que vendendo) atingiu o maior patamar em oito meses, indicando que parte dos investidores vê o momento como oportunidade de entrada.

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Para especialistas como Kerbage, o episódio reforça uma lição recorrente: a volatilidade é o preço da oportunidade. “Quedas como essa testam o emocional do investidor, mas historicamente o mercado cripto tem recompensado quem mantém a disciplina”, disse.

Rompimento de padrão histórico

Apesar da preocupação com os ciclos do Bitcoin, há quem diga que esse padrão esteja ficando para trás. Isso significa que a trajetória que se segue desde 2012, com alta explosiva após o “halving”, seguida por forte correção e lenta recuperação, pode não acontecer dessa vez.

A gestora 21Shares observa que, dezoito meses após o halving de abril de 2024, o Bitcoin mantém preços elevados, mas com volatilidade mais contida e sem o “topo eufórico” típico de ciclos anteriores.

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A explicação está, segundo a casa, na mudança estrutural do mercado. Desde o lançamento dos ETFs à vista nos EUA, em 2024, o perfil de investidores passou a incluir fundos de pensão, gestoras e tesourarias corporativas – agentes institucionais que mantêm posições por mais tempo e reduzem as oscilações causadas por especulação de varejo.

Com quase 94% dos Bitcoins já minerados, defende a 21Shares, o impacto da oferta sobre o preço diminuiu, enquanto fatores macroeconômicos e de liquidez global ganharam peso. Para a gestora, o ciclo pode estar se alongando para cinco anos, com altas mais graduais, porém sustentáveis, e um possível pico apenas em 2026.

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