Argentino aposta contra o país, diz CIO da RPS, que projeta “home run” do vizinho

há 2 meses 12
ANUNCIE AQUI

O comportamento dos investidores argentinos é, segundo Paolo Di Sora, CIO da RPS Capital, um dos maiores entraves à recuperação econômica do país. “O argentino aposta contra a Argentina”, afirmou o gestor, ao destacar que a desconfiança crônica da população em relação à própria moeda cria um ciclo de autossabotagem. “O argentino que tem dinheiro guarda em dólar, não em peso. Quando o país melhora, ele não se beneficia tanto, então tende a apostar contra.”

Essa mentalidade, segundo Di Sora, foi determinante para o aumento da volatilidade nos mercados após as eleições provinciais em Buenos Aires. Analistas e investidores chegaram a especular, sem base concreta, sobre um possível impeachment do presidente Javier Milei. “O mercado confundiu ruído com sinal”, criticou o gestor.

“Aquela eleição era territorial, local, não um plebiscito sobre a macroeconomia. Mesmo assim, o pânico tomou conta.”

Leia também: Secretário dos EUA diz a investidores que agora é a vez deles resgatarem a Argentina

Convicção e visão de longo prazo

Di Sora acredita que o pior já passou para quem apostou na recuperação da Argentina. O fundo da RPS, que sofreu com as quedas iniciais, agora supera o desempenho do índice Merval em reais. Para o gestor, a virada é resultado da combinação entre gestão ativa, uso de derivativos e paciência. “Não foi um pequeno teste, a Bolsa caiu 40%. Era o suficiente para tirar muita gente do jogo”, disse.

O gestor fez as declarações no podcast Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo.

Leia também: A nova Argentina e o apoio dos EUA: a visão da RPS sobre a virada de Milei

Continua depois da publicidade

O início de um novo ciclo econômico

Com a consolidação do governo Milei e a formação de uma base política mais coesa, Di Sora vê um horizonte promissor para o país. “Estamos diante de um home run”, afirmou, em referência à famosa jogada no beisebol.

“A sociedade argentina sancionou o sofrimento do ajuste macroeconômico e decidiu seguir em frente. O que está acontecendo agora é o início de uma história estrutural de mudança”

Leia também: Milei acelera reforma trabalhista com jornada de até 12 horas na Argentina

Para ele, a nova fase da economia argentina depende menos da política e mais da confiança dos próprios argentinos. “O mercado precisa acreditar que a Argentina pode dar certo — e o argentino também.”

Ler artigo completo