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Do viral “casal Coldplay” aos filhos de Elon Musk com uma executiva da Neuralink, somos fascinados por romances de escritório — especialmente quando envolvem o chefe. Eles inspiram fofocas, despertam debates sobre poder e consentimento e, às vezes, terminam em escândalo. Mas, por trás das manchetes, surge uma pergunta séria: o que acontece, econômica e profissionalmente, quando um gerente e um subordinado se envolvem?
Para descobrir, meus colegas David Macdonald, Jerry Montonen e eu analisamos dados administrativos cobrindo toda a população da Finlândia ao longo de 30 anos. Nossa pesquisa revelou que começar um relacionamento sério com um gerente do seu local de trabalho pode trazer benefícios — enquanto dura. Mas, quando termina, os custos são altos para a pessoa com menos poder na relação. Esses relacionamentos também afetam negativamente o ambiente de trabalho mais amplo, aumentando a rotatividade entre os colegas do casal.
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O período da lua de mel
Nossa pesquisa é um dos primeiros estudos em larga escala, de nível populacional, sobre relacionamentos de trabalho que cruzam hierarquias organizacionais. Analisamos as trajetórias profissionais de todos os casais que coabitaram na Finlândia entre 1988 e 2018, focando naqueles que trabalhavam na mesma organização e onde um dos parceiros ocupava um cargo gerencial.
Descobrimos que, enquanto esses romances de escritório duram, a carreira do subordinado floresce. Em média, sua renda aumenta 6% (em comparação com pessoas que se relacionam com um gerente de outra empresa). Esse aumento ocorre gradualmente nos dois primeiros anos do relacionamento, à medida que o envolvimento se aprofunda.
A grande maioria dos relacionamentos em nosso estudo envolve uma subordinada mulher e um gerente homem. Mas, ao observar o pequeno grupo de homens que namoram gerentes mulheres, constatamos que eles experimentam ganhos salariais ainda maiores do que as mulheres que namoram gerentes homens.
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O aumento salarial resulta de favoritismo? Ou um relacionamento com um superior pode gerar mentoria e crescimento profissional? Descobrimos que, se o subordinado muda de empresa, o ganho de renda cai pela metade. Se o gerente sai, o ganho desaparece completamente. Esses resultados se parecem menos com desenvolvimento de talento e mais com tratamento preferencial dado por um gerente ao parceiro(a).
A punição do término
Começar um romance de escritório traz vantagens, mas terminá-lo custa caro. A renda do subordinado cai, em média, 18%, anulando totalmente os benefícios anteriores — e os efeitos negativos duram pelo menos quatro anos. As taxas de emprego também despencam: subordinados têm 13 pontos percentuais a mais de probabilidade de deixar o mercado de trabalho no ano seguinte ao término (em comparação com pessoas que se separaram de um gerente de outra empresa).
As consequências vão além do casal, afetando claramente os colegas de trabalho. Após o início de um romance no escritório, a retenção de funcionários cai seis pontos percentuais, o que significa uma rotatividade 14% maior do que em empresas comparáveis.
Essa evasão é tanto maior quanto menor for a empresa ou quanto maior o aumento salarial do subordinado durante o relacionamento. A percepção de injustiça gerada por romances entre chefes e subordinados corrói a confiança e faz com que talentos deixem a organização.
Por que isso importa para os negócios
Nossas descobertas ajudam a explicar por que um número crescente de empresas adota regras que restringem ou proíbem relacionamentos hierárquicos.
Por exemplo, o McDonald’s proíbe envolvimento romântico entre supervisores e subordinados diretos ou indiretos. A política é levada tão a sério que contribuiu para a demissão do CEO Stephen Easterbrook em 2019, após um relacionamento consensual com uma funcionária.
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Quando relacionamentos pessoais se desenrolam dentro de estruturas de poder profissional, as consequências se estendem muito além do casal envolvido.
Esses casos podem alterar estruturas salariais, distorcer caminhos de promoção e prejudicar o moral de toda a equipe.
Políticas claras ajudam a mitigar esses riscos, especialmente se impedirem que gerentes supervisionem diretamente seus parceiros ou influenciem sua trajetória de carreira.
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Essas políticas não tratam de proibir o amor no trabalho, mas de proteger ambas as partes e o grupo dos efeitos profissionais negativos.
O duradouro encanto dos romances de escritório
Todos nós conhecemos alguém que encontrou o amor no trabalho — talvez até você mesmo. Entre 2000 e 2019, o local de trabalho foi o quarto lugar mais comum onde casais se conheceram. Um quarto dos trabalhadores americanos já se envolveu em um romance de escritório, e 18% deles namoraram um superior.
Nossas descobertas não sugerem que todo romance profissional esteja condenado ou seja explorador. Na verdade, descobrimos que essas relações tendem a durar mais do que outras semelhantes.
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Isso pode ocorrer por interesses compartilhados e maior convivência — pode ser mais fácil (e divertido) se envolver com alguém do trabalho do que usar um aplicativo de namoro.
Mas também pode refletir os altos custos pessoais e financeiros de terminar: quando o fim do relacionamento significa perder não apenas o parceiro, mas também o emprego ou o prestígio profissional, o incentivo para permanecer, mesmo infeliz, é grande.
A lição não é que o amor não tenha lugar no trabalho — é que poder e amor não se misturam bem. As empresas não podem (nem devem) eliminar a atração do ambiente de trabalho, mas podem criar salvaguardas que limitem os danos quando isso ocorrer.
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Políticas que evitem que gerentes supervisionem ou avaliem seus parceiros são um bom começo. Também ajudam a transparência e o reconhecimento de que, embora esses relacionamentos possam dar certo, carregam riscos reais e mensuráveis para os envolvidos e seus colegas.
O fascínio por relacionamentos entre chefes e subordinados provavelmente nunca vai desaparecer. Mas os dados sugerem que, para a maioria das pessoas e das empresas, os custos de misturar amor e liderança são profundos — e podem superar as recompensas.
Os artigos de opinião publicados na Fortune.com refletem exclusivamente as visões de seus autores e não necessariamente as opiniões ou crenças da Fortune.
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