A320 sob alerta: entenda como a radiação solar travou frota global da Airbus

há 9 horas 3
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Uma falha rara e de origem improvável levou a Airbus a desencadear, nos últimos dias, uma operação global de emergência para atualizar o software de milhares de aeronaves da família A320.

O problema, relacionado ao sistema responsável por comandar superfícies essenciais de controle do voo, provocou atrasos, realocações de aeronaves e até suspensão temporária de vendas de passagens por parte de algumas companhias.

O alerta foi acionado após a análise de um incidente ocorrido em outubro, envolvendo um Airbus A320 da JetBlue que fazia a rota Cancún–Newark. No meio do trajeto, o jato iniciou uma descida brusca sem qualquer comando dos pilotos. Passageiros ficaram feridos e a tripulação precisou desviar para Tampa, onde o pouso de emergência foi realizado.

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O comportamento do avião, considerado atípico para um modelo amplamente testado, revelou um erro crítico no sistema ELAC, o computador responsável por operar os elevadores e ailerons, peças fundamentais para manter o equilíbrio e a trajetória do voo.

As investigações detectaram corrupção de dados no ELAC. A origem, porém, fugia dos padrões tradicionais de falha eletrônica: partículas de alta energia provenientes do Sol teriam atingido componentes sensíveis do sistema.

Em altitudes de cruzeiro, a proteção atmosférica é menor, e fenômenos conhecidos como single event upsets — alterações provocadas por radiação solar em microchips — podem modificar bits de informação. Uma mudança de “0” para “1”, ou vice-versa, é suficiente para gerar comandos incorretos. No caso da JetBlue, essa alteração comprometeu diretamente o controle da aeronave.

A Airbus determinou então a atualização imediata do software de cerca de 6 mil aeronaves A320 em operação no planeta. Embora a maioria da frota tenha sido corrigida rapidamente, aproximadamente 100 aviões permanecerão em solo por mais tempo, aguardando procedimentos adicionais.

Companhias da América Latina

O impacto operacional variou pelo mundo. Na América Latina, empresas como Avianca sofreram mais intensamente: mais de 70% de sua frota foi afetada, obrigando a companhia a suspender a venda de passagens até 8 de dezembro.

Nos Estados Unidos e na Europa, o efeito foi mais controlado, apesar do período de alto fluxo devido ao feriado de Ação de Graças. Lufthansa, EasyJet, United e American Airlines informaram que conseguiram reorganizar malhas e manter grande parte dos voos dentro da normalidade.

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Airbus pede desculpas

Em comunicado, o CEO da Airbus, Guillaume Faury, pediu desculpas às companhias aéreas e aos passageiros afetados. Ele destacou que a segurança permanece como “o valor absoluto” da empresa e lembrou que os cerca de 9.400 jatos da família A320 transportam milhões de pessoas diariamente.

A fabricante afirmou que continuará monitorando o desempenho das aeronaves após a atualização e que investiga medidas adicionais para evitar novos incidentes relacionados à radiação solar, um desafio crescente em períodos de maior atividade do Sol.

Com a correção avançando, a expectativa é de que as malhas aéreas sejam gradualmente normalizadas ao longo da próxima semana.

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