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Você já parou para analisar quantas horas por dia passa conectado? Pois sabia que, em média, o brasileiro fica 9 horas e 32 minutos por dia na internet, seja navegando em redes sociais, consumindo notícias, assistindo vídeos e respondendo notificações.
Esse dado por si só já impressiona. Mas o que mais chama atenção é que esse comportamento não é neutro: ele está reorganizando nossa saúde física, mental e até financeira.
Isso foi o que apontou um novo estudo da Escola Brasileira de Medicina do Estilo de Vida (MEVBrasil), conduzido por médicos e especialistas de diversas áreas.
A pesquisa, aliás, mostra que não se trata apenas de “gostar de tecnologia”. Estamos vivendo em um ambiente digital projetado para capturar atenção, reduzir a capacidade de desconexão e incentivar padrões compulsivos.
A hiperconectividade digital virou o novo normal. E os impactos disso já começam a aparecer em todas as faixas etárias.
Um ecossistema pensado para manter você online
O estudo revela que aplicativos e plataformas não apenas respondem aos nossos hábitos. Eles os moldam. Elementos como algoritmos opacos (aqueles cujas regras de funcionamento não são transparentes para o usuário) são parte central desse modelo.
Também entram em cena a tal da rolagem infinita, recompensas variáveis, notificações incessantes e o que se pode chamar de onipresença digital. Ou seja, a presença simultânea e constante de plataformas, dispositivos e canais, de modo que a tecnologia está “em todo lugar, a todo momento”.
Esses elementos constroem um ambiente altamente estimulante, capaz de ativar continuamente o que se chama de sistema de recompensa dopaminérgico, que nada mais é do que os circuitos cerebrais que liberam dopamina em resposta a estímulos percebidos como “recompensa” e que reforçam comportamentos repetitivos.
É por isso que “dar uma olhadinha rápida” vira meia hora, no mínimo. E aí, cada interação microestimula esse sistema e reforça o ciclo de engajamento. Afinal de contas, a arquitetura digital foi desenhada para gerar retenção, recorrência e monetização, e não necessariamente para promover equilíbrio.
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Quando o digital começa a alterar o nosso bem-estar
E os efeitos já podem ser medidos. Segundo o estudo:
- 1 em cada 20 adultos brasileiros apresenta sinais compatíveis com dependência de internet;
- 10,9 milhões são apostadores de risco;
- crianças e adolescentes estão dormindo pior e se concentrando menos;
- adultos relatam mais ansiedade, irritabilidade e dificuldade de foco.
A multitarefa digital – tão celebrada durante anos – também se revela problemática. Alternar entre diversas telas reduz a produtividade, aumenta lapsos de atenção e fragmenta o pensamento.
O estudo descreve ainda um fenômeno crescente: a chamada “economia do vício”. Para entender melhor esse termo, é importante saber que as plataformas digitais dependem de três variáveis para prosperar: tempo de atenção, dados e recorrência. Portanto, quanto mais tempo conectado, maior o lucro.
Para isso, o sistema usa os pilares: design persuasivo, onipresença (presença constante em múltiplas plataformas e dispositivos), marketing direcionado, desinformação e obstáculos à regulação. Não é coincidência que seja cada vez mais difícil “usar menos”.
Apostas e jogos: o lado mais frágil desse cenário
Entre os temas analisados, o estudo considera as apostas digitais uma das maiores preocupações. Os números revelam por quê.
- 10,9 milhões de brasileiros apresentam padrão de uso arriscado;
- 1,4 milhão já vive sintomas compatíveis com transtorno de jogo;
- Usuários de “bets” têm quatro vezes mais chance de desenvolver dependência do que apostadores tradicionais.
Além disso, cada jogador de alto risco afeta outras seis pessoas ao redor. Seja emocionalmente, socialmente ou financeiramente.
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Efeitos físicos da hiperconectividade digital
Além de efeitos emocionais e sociais, a hiperconectividade também se manifesta no corpo por meio de sintomas como:
- piora do sono;
- alteração no ritmo circadiano (o nosso relógio biológico);
- maior risco de obesidade e sedentarismo;
- dores cervicais e de cabeça;
- fadiga e esgotamento.
E mais: a exposição à luz azul, estímulos antes de dormir e cultura do “sempre disponível” ampliam o risco de sono insuficiente entre jovens e burnout digital entre adultos.
Como se proteger: práticas para reduzir os efeitos nocivos
Mas nem tudo é desespero. A boa notícia é que existem caminhos de prevenção. O estudo sugere recomendações simples e eficazes. Veja só!
- Estabeleça zonas livres de tela: quartos, refeições, encontros presenciais.
- Reduza interrupções: desative notificações não essenciais.
- Monitore seu tempo de uso: relatórios nativos de celulares ajudam.
- Evite telas à noite: dormir melhor começa pelo desligamento digital.
- Faça pausas intencionais: a cada 2 horas, desconecte por 10 a 15 minutos.
- Priorize atividades offline: exercício físico, leitura, hobbies criativos são antídotos poderosos.
Diante disso, fica o alerta do estudo: sem ação coordenada, caminhamos para uma geração com menos foco, menos conexão humana e mais sintomas. Já com ação, é possível redesenhar o futuro digital. E aí, preparado para começar a reduzir o seu tempo de tela?

há 2 meses
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