1 dia para a NBA: OKC segura elenco campeão em busca de virar uma dinastia

há 2 meses 29
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  • Lucas Guanaes e Luís Araújo

20 de out, 2025, 02:48

68 vitórias, MVP, melhor defesa e um dos melhores ataques do campeonato. O ano do Oklahoma City Thunder foi melhor do que o mais otimista dos torcedores poderia imaginar. Diante de toda a euforia, a grande notícia é a permanência de todo o elenco, mostrando que a diretoria confia na continuidade e possível criação de uma dinastia na NBA.

Mas tão difícil quanto chegar ao topo é se manter nele. Que digam os últimos campeões. Foram sete diferentes nas últimas sete temporadas. Caberá a OKC quebrar essa marca, mostrar que o raio cai duas vezes no mesmo lugar e conseguir o primeiro bicampeonato da década?

Como foi o Thunder na última temporada

  • Campanha: 68 vitórias e 14 derrotas

  • Classificação: 1° lugar na Conferência Oeste

  • Nos playoffs: Campeão da NBA ao vencer o Indiana Pacers (4 a 3) nas finais e Minnesota Timberwolves (4 a 1), Denver Nuggets (4 a 3) e Memphis Grizzlies (4 a 0) nas fases anteriores

  • O que aconteceu: a temporada regular do Thunder aconteceu em voo de cruzeiro. A equipe teve a 6ª melhor campanha da história (empatada com o Boston Celtics de 1972/73) e em momento algum teve a liderança da Conferência Oeste ameaçada. Dentre os inúmeros feitos, um dos de maior destaque foi a ‘varrida’ na Conferência Leste: 30 vitórias e nenhuma derrota contra os times do outro lado do país, feito inédito na história da NBA.

    Nos playoffs, atropelou o Memphis Grizzlies e o Minnesota Timberwolves, mas teve dificuldades contra o Denver Nuggets. Já na final, diante dos Pacers, levaram a melhor no Jogo 7 e conseguiram o segundo título na história da franquia. Mas para eles, na prática, foi o primeiro, uma vez que boa parte da torcida desconsidera o título de 1979, conquistado ainda quando o time era o Seattle Supersonics, a 3.000km de Oklahoma.

O elenco do Thunder para a temporada 2025/26

  • Escolhas de Draft: Thomas Sorber (ala-pivô, 15ª escolha) e Brooks Barnhizer (ala-armador, 44ª escolha)

  • Quem mais chegou: Chris Youngblood (ala-armador)

  • Quem foi embora: Dillon Jones (ala-pivô, Washington Wizards)

  • Provável time titular: Shai-Gilgeous Alexander, Lu Dort, Jalen Williams, Chet Holmgren e Isaiah Hartenstein

  • Reservas: Nikola Topic (armador), Isaiah Joe, Cason Wallace, Alex Caruso, Ajay Mitchell, Brooks Barhnizer, Chris Youngblood (alas-armadores), Kenrich Williams, Thomas Sorber*, (alas-pivôs), Jaylin Williams, Branden Carlson e Ousmane Dieng (pivôs)

    *Fora da temporada por lesão

  • Técnico: Mark Daigneault

O clima para a temporada

Todos os 13 jogadores que mais tiveram minutos na rotação do Thunder ao longo da temporada passada foram mantidos no elenco. Está bem clara a aposta na continuidade para defender o título e conquistar o bicampeonato, coisa que todo campeão da NBA tem falhado em conseguir desde o Golden State Warriors de 2018.

A única baixa foi o ala Dillon Jones, que teve cerca de 10 minutos de ação por jogo durante a campanha do título nos 54 jogos que atuou e foi mandado para o Washington Wizards. Por outro lado, o Thunder passará a contar com o armador sérvio Nikola Topic, que tinha sido a 12ª escolha no Draft de 2024 e que fará sua estreia na NBA só agora, depois de ter passado todo o último ano afastado para tratar de uma lesão no ligamento do joelho.

Essa aposta do Thunder na continuidade do elenco se dá pela confiança que existe em torno dos jovens pilares do time. As extensões de contrato acertadas durante a offseason com Shai Gilgeous-Alexander, Jalen Williams e Chet Holmgren ajudam a mostrar isso. Os três assinaram acordos que os manterão em Oklahoma até 2031.

Se as coisas acontecerem mais ou menos como a direção planeja, o Thunder continuará sendo um forte candidato ao título por toda a década.

Abre aspas

"Nós precisamos estar alertas e cientes de que vamos sempre entrar em quadra com um alvo em nossas costas. Entrar em uma temporada defendendo um título conquistado no ano anterior é diferente."

O comentário é de Alex Caruso, único jogador do elenco com essa experiência de entrar em uma temporada defendendo um título da NBA. Antes da conquista com o Thunder, o armador já tinha sido campeão com o Los Angeles Lakers em 2020.

Uma esperança

Impossível não ressaltar a defesa montada por Mark Daigneault. Com apenas 107,6 pontos sofridos a cada 100 posses, foi a mais eficiente da última temporada, com distância de dois pontos (valor altíssimo em defensive rating) para o Orlando Magic, que teve a segunda melhor defesa.

Com um elenco de ótimos defensores em todas as posições, praticamente não há mismatches contra OKC. Ainda, quando necessário, formações mesclando Alex Caruso, Cason Wallace e Lu Dort conseguem sustentar marcações imparáveis também no um contra um, desestabilizando os principais atacantes adversários.

A profundidade do elenco também garante o mesmo nível de intensidade ao longo de toda partida, mesmo quando Isaiah Joe, Aaron Williams, Jaylin Williams, Kenrich Williams e companhia estão em quadra.

Por fim, há também de se destacar a chegada de Nikola Topic ao elenco. O jovem armador sérvio perdeu toda a temporada por conta de uma grave lesão - e já perderá as primeiras semanas de 2025/26 - e, na prática, é a única adição do elenco para 2025/26, já que Thomas Sorber, escolhido na 15ª posição do Draft, também perderá a temporada por conta de lesão.

Embora Topic seja um armador de jogo mais lento, que em tese não condiz tanto com a NBA, teve muito destaque na Europa antes de desembarcar na América, e terá a oportunidade de se desenvolver sem a pressão de precisar resolver problemas imediatos da equipe.

Um medo

É difícil encontrar algo a dizer de uma equipe que vem de uma das temporadas mais dominantes da história da NBA. Superando, então, os clichês de ‘ressaca de título’ e de que o Thunder irá ficar ainda mais visado pelos adversários, há dois pontos de atenção.

Apesar da equipe ter o terceiro ataque mais eficiente da última temporada, com 120,3 pontos a cada 100 posses de bola (atrás apenas de Cavs e Celtics), em diversos momentos havia uma dependência das ações mirabolantes do MVP Shai Gilgeous-Alexander. Quando os adversários conseguiam reduzir a influência do astro, o ataque de OKC ficava travado.

Muito porque a equipe ainda não tem um ‘segundo homem’ confiável. Em tese, a função é de Jalen Williams. Mas o ala alternou partidas incríveis (incluindo nos playoffs) com outras muito discretas. Tampouco Isaiah Joe, vindo do banco, conseguiu exercer a função com regularidade ao lado de SGA.

Além disso, a combinação de Chet Holmgren e Isaiah Hartenstein não funcionou de um jeito tão fluido. É bem verdade que o fato de Chet perder mais da metade da temporada pode ter grande influência, mas até mesmo nos playoffs OKC se viu obrigado a optar por um dos dois na maior parte do tempo, especialmente pela inesperada fragilidade defensiva de quando dividiram a quadra. Do outro lado da quadra, porém, deu muito certo, e a dupla esteve presente nas melhores formações ofensivas da equipe.

Não são situações que tiram o sono do Thunder, mas valem a observação para 2025/26.

O cara

Não tem como não citar o atual MVP por aqui. Shai Gilgeous-Alexander chegou a 32,7 pontos por partida na temporada passada, o que fez dele o cestinha da NBA. Além disso, o armador teve ainda 6,4 assistências, 5,0 rebotes e 1,7 roubo de bola por jogo, com índice de eficiência nos arremessos de 56,9% - o melhor da carreira até agora.

Não é difícil entender como Shai funciona como motor deste time. Quando tem a bola nas mãos, parece sempre saber o que fazer para punir os defensores. Pode ser dando um arremesso de média distância quando os marcadores se concentram em bloquear a entrada para o garrafão, mas pode ser também em infiltrações que consegue tirar da cartola a partir dos seus dribles de hesitação, em que ele ameaça fazer um movimento, vê como o marcador reage e, em uma fração de segundo, ataca o espaço que se abre.

Se em um lado da quadra existe toda essa responsabilidade, do outro seguramente dá para dizer que não há descanso. Shai é um marcador de primeiro nível, com papel crucial no sucesso da defesa do Thunder, que foi a mais eficiente da liga na última temporada.

Também vale a pena ficar de olho

Jalen Williams é claramente o segundo melhor jogador deste time, pelo menos até agora. O ala foi all-star na temporada passada, entrou para o terceiro quinteto ideal da liga e apareceu no segundo time de defesa. São premiações importantes para um jogador de 24 anos, que vem de médias de 21,6 pontos e 5,1 assistências por partida e que parece ter condições de crescer ainda mais tecnicamente.

Mas não tem como deixar de passar por Chet Holmgren por aqui. Na temporada passada, ele foi limitado por uma lesão que o fez participar de apenas 32 dos 82 jogos do Thunder na fase de classificação. Nestes momentos em que esteve em quadra, e também nos playoffs, confirmou a impressão que tinha deixado no ano anterior: a de que já é um jogador pronto defensivamente, capaz de causar um impacto grande para seu time nesse aspecto.

Mas há duas questões em torno do jogo dele que valem atenção especial. Uma delas diz respeito a jogar ao lado de um outro pivô. Os recortes durante o tempo em que teve a companhia de Isaiah Hartenstein foram promissores, especialmente no ataque. Com os dois juntos, o Thunder anotou em média 122,9 pontos a cada 100 posses de bola, o que representa um índice excelente. Será que isso é sustentável? E como isso pode afetar seu comportamento defensivo, muitas vezes o afastando para longe da proteção do aro?

A outra questão é o desenvolvimento ofensivo em si. Holmgren tem bom arremesso de longe e ajuda a abrir espaços na quadra para o Thunder com essa habilidade. Mas em outros momentos ele já mostrou alguma dificuldade diante de defesas mais fortes para infiltrar. Será que veremos evolução nesse sentido?

Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5

4 (alto) - Pode até parecer pouco para um time tão recheado de jovens, que podem evoluir ainda mais, e que tanto venceu na temporada passada. Mas o saldo de pontos ao longo da campanha que culminou no título deixa claro o motivo para a nota não ser mais alta: grande parte dessas vitórias foram de lavadas. Então existe uma boa chance de o fã de basquete que for acompanhar o Thunder em ação acabe vendo um jogo definido muito antes da hora.

Palpite para a temporada 2025/26 do Thunder

No cenário mais otimista: melhor campanha da NBA desde o início da temporada, caminhada ainda mais soberana pelos playoffs do Oeste, sem chegar a sete jogos em nenhuma série, e um bicampeonato sem sustos, dando o recado para o restante da liga de que uma dinastia está se formando.

No cenário mais pessimista: chega aos playoffs com mando de quadra, mas não em primeiro lugar, e aí acaba derrotado nas semifinais ou mesmo na semifinal de conferência por algum concorrente que se reforçou na “offseason” e teve sucesso em neutralizar os campeões.

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